Um dos mais gratificantes momentos da minha carreira de Bombeiro Profissional.
Em serviço, numa ambulância INEM fui ativado para uma queda num domicílio, um traumatismo num braço.
Quando iniciamos a promoção do transporte da vítima, um homem de 80 anos, o mesmo retorquiu...
“NÃO QUERO AJUDA... EU ESTIVE NA GUERRA”...
Bom... fiquei pasmado...
Mas continuando a ajudar, o senhor perguntou-me se eu sabia o que era a guerra e se tinha ido à tropa, sem me deixar responder disse-me que tinha sido prisioneiro de guerra em Goa a quando da sua tomada em 1961.
E nos 35 minutos que se seguiram no transporte até ao Hospital, entre alguns
“ais” contou-me na primeira pessoa e detalhadamente como se antecederam os 3 dias ao dia da à invasão das praças Portuguesas na Índia, como se processou a tomada e a rendição das forças Portuguesas, como e para onde saíram e fugiam os colonos entre outros acentos...
Com uma lucidez incrível e um olhar vago, com as imagens debaixo da língua fez um relato daquilo que se sucedeu nas praças Portuguesas a quando da tomada de Goa Damão e Diu em Dezembro de 1961.
A vida enquanto prisioneiro de guerra e o que mais me chamou a atenção, a vontade do governo Português na defesa a todo o custo até ao último homem das praças na Índia, ordem que não foi acatada pelo governador o que poupou mais de 3500 vidas.
Hoje na casa dos 30 anos, vivi um episódio de história indescritível. Um veterano de guerra que entre linhas dizia...
“Fui à guerra, fui feito prisioneiro, e nunca fiz um arranhão, hoje escorrego e parti o braço vamos lá perceber a vida”...
Deixo aqui uma palavra de carinho e apreço a todos os veteranos das Ex- colonias portuguesas que também tal como eu e outros iguais a mim lutamos e lutaram todos os dias para manter populações e o país o mais seguro possível!
FIRESHELTER52